terça-feira, 24 de junho de 2014

Triste realidade para nós, ciclistas

Nem tudo são flores. Domingo, mais uma vez, um ciclista morre assassinado por um motorista bêbado.

Desta vez aconteceu aqui pertinho de casa, em local que eu costumo pedalar também, o que me leva a concluir que trânsito de estradas é mais seguro que urbano. E também que essa tal de Lei Seca é mais uma lei-que-não-pegou.

Foto da revista MountainBike Brasília

Vejam a matéria aqui.

O que mais dói é o desdem e até desprezo com que todos - inclusive as autoridades - tratam esses casos, como que condenando o ciclista por estar ocupando o espaço deles, os motoristas. Assim como as mulheres vítimas de estrupo seriam as culpadas por estarem usando roupas provocantes.


quarta-feira, 18 de junho de 2014

O MOTOR DA BICICLETA


Enquanto planejo a próxima viagem, em breve, descubro boas leituras do mundo ciclista. Entre elas este ótimo artigo, do guru Antonio Olinto, publicado na revista Bicicleta:

O motor da bicicleta

Até a próxima.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

SP em 2 Rodas - Final


TEODORO SAMPAIO
Pensava que a famosa dupla sertaneja fosse dali...

Quando passei por São Manuel fiquei sabendo que Tonico e Tinoco eram nascidos na cidade e região, daí imaginava que Teodoro e Sampaio tivessem história parecida. Bem, não são filhos da cidade, trata-se apenas de uma homenagem à ela.

Pelas pesquisas que fiz antes da viagem, tomei conhecimento do Parque Estadual Morro do Diabo, que em minha imaginação ofereceria muitas subidas na estrada. Felizmente não foi assim, ufa!

Cheguei bem cansado, foram 72 km de pedal desde Mirante do Paranapanema, assim a primeira coisa que desejava era achar um restaurante. O que foi tarefa bem facilitada pela geografia da cidade: uma grande avenida que a atravessa de ponta a ponta, onde se concentra o comércio e demais centros de atividade urbana. Na verdade essa avenida, denominada Cuiabá, é a rodovia SP-613, que se inicia ali. Com o tempo foi incorporada à cidade, o que estranhei um pouco pela passagem de todo o movimento que se dirige ao Mato Grosso do Sul e oeste do Paraná, incluindo pesadas carretas.

Impressionado com esse movimento, perguntei a moradores se não são comuns acidentes graves envonvendo as carretas, e me garantiram que não, na verdade são raros. Para dar uma ideia melhor coloquei este video que fiz em minha passagem.
video

À noite, descansando no hotel me dei conta de ter esquecido o carregador do celular la em Mirante... saí em busca de um, mas o comércio estava de portas fechadas e não foi possível. Devido a essa mancada eu iria fazer os 82 km até Primavera/Rosana incomunicável.

Em Teodoro fiz contato com diversos ciclistas da região, sendo o primeiro o Adriano, que me colocou a par das atividades do seu grupo de pedal, que faz trilhas pela região. Prometi de um dia ir pedalar com eles... Também foi quem me indicou o Mini Hotel, onde me hospedei. Além dos ciclistas, que devido a natureza comum se mostram bastante receptivos e simpáticos, toda a população local me pareceu com as mesmas características. Talvez tenha sido esse o motivo de ter gostado muito da cidade.

Deixei Teodoro bem cedo no dia seguinte, sabendo que seria um dia difícil, pela extensão a ser pedalada, 82 kms. Em bate-papo com outros ciclistas na Carlinhos Bike fiquei sabendo que a estrada pelo Parque era tranquila, muito boa mesmo. Alívio.







ROSANA/PRIMAVERA
Para mim se tornam única, apesar dos 12 km que as separam

Esses 82 kms seriam vencidos com alguma dificuldade, não esperava. Primeiro: logo após passar o Morro do Diabo, cerca de uns 10 km à frente, caiu um toró inesperado. E como estava bem frio me assustou de verdade, ainda mais pelos raios que caíam relativamente perto. Parei em um restaurante de beira de estrada para me abrigar. Tencionava tomar um conhaque encorajador... mas não vendia nenhuma espécie de bebida alcoólica. Como era muito cedo ainda não havia comida pronta, então segui em frente, mesmo sob chuva que amenizara. Devido à umidade e ao frio intenso, temi por chegar a um ponto de hipotermia, o que poderia ser fatal mesmo... nesses momentos em que se recorre a orações, inevitavelmente, elas mostram sua eficiência: pouco a pouco a chuva foi diminuindo, o sol apareceu - um pouco fraco, é verdade - mas o suficiente para me aquecer e espantar esse fantasma.







Com a chuva, o acostamento, de terra macia e cascalhos, se revelou uma dificuldade a mais, Caiu bastante o rendimento e pensei que seria obrigado a parar na cidade de Euclides da Cunha Paulista, pela metade do caminho. Mas quando cheguei ao ponto de acesso à mesma o sol já estava forte novamente, permitindo-me seguir em frente.

Nesse trecho todo - de Teodoro a Primavera -, tentava o máximo possível ir pelo asfalto. Felizmente os motoristas (sem exceção) se mostravam amistosos e desviavam de mim com bastante segurança; assim, só saía para o acostamento quando percebia que 2 veículos se cruzariam no ponto em que eu estivesse passando, regra de ouro para quem viaja em estrada de pista simples.

Cheguei a Primavera ainda cedo, por volta das 16 h. Rapidamente me inteirei de um hotel simples para ficar, o Arco-Iris, bem no início da cidade.
Adicionar legenda
As outras bikes na foto eram de funcionários do hotel, não eram cicloviajantes...



Primavera na verdade é um distrito de Rosana. Foi construída na época da construção da Usina Hidrelétrica Primavera, uma das maiores do País, por isso é uma cidade planejada, super organizada, que lembra Brasília: setores bem definidos, separados, prática. Pretendia visitar a Usina, pois admiro esses monstros de concreto desde a infância. Porém a chuva voltou e persistiu nos 3 dias que passei aqui, frustrando meu intento.

Fui a Rosana de van, na sexta-feira. Chovia no dia e não quis me molhar todo com a única roupa de frio porque deveria voltar no dia seguinte, de ônibus, o que seria muito desconfortável. Além do mais a prefeita não se encontrava na cidade no dia e eu pretendia fotografar-me com ela, fechando assim "oficialmente" o projeto. (Confesso que me arrependi dessa decisão, poderia ter ficado por lá mais uns dias. São aqueles 15 segundos de bobeira que a gente tem por vezes na vida e toma decisões inadequadas).


Um final um tanto morno. Mas não invalida o Projeto. Concluí SP em 2 Rodas do jeito que imaginei: Norte, Centro Sul, Leste e Oeste do estado sentiram os pneus da Áquila em seus territórios. Cumpri uma meta a qual cheguei a duvidar que realizasse. Isso é o que importa.







A VOLTA
De ônibus. Rosana a Presidente Prudente e dali a Brasília

Na verdade não haveria necessidade de incluir a viagem de ônibus nesta história se não fosse um fato que me sensibilizou marcantemente. O Marcos Jr, que encontrara lá perto de Regente Feijó, me recebeu na rodoviária e cuidou de toda minha necessidade ali: foi comigo a lojas em busca de caixas de papelão para embalar a Áquila (de Rosana me aceitaram trazer ela montada, no ônibus), arrumou um local bem perto da rodoviária para eu deixar a bike e bagagem e, ainda me ofereceu sua residência para pernoite. Caiu do céu!

O pai dele, ótimo proseador, me recebeu de braços abertos, senti-me bem à vontade naquela casa. Conheci também sua noiva, a Alessandra, com quem fomos relaxar em um barzinho superagradável, o Sr. Boteco.

No dia seguinte me deixou na Rodoviária bem antes do horário do embarque, pois tinha outros compromissos que não lhe permitiam me acompanhar. Gastei esse tempo embalando a Áquila. Foi aí que notei que não precisava desmontar a roda traseira, apenas a dianteira. Fiz isso ali na área da rodoviária, sob muitos olhares curiosos. Embarquei num ônibus da Viação Motta para uma viagem de 17 horas, muito mais cansativa que os 13 dias de pedal pelo oeste paulista.
Um zé-do-caixão na rodoviária de Prudente. Curti muito.


Áquila semidesmontada e embalada. Só agora aprendi a fazer isso rapidamente...
Por do sol no Rio Tietê, em Promissão. Desculpem a qualidade, mas o ônibus estava em movimento...


Fim.

SP em 2 Rodas - Finalizando...

De Marília a Rosana, tranquilidade 90%


Quando falo em tranquilidade, significa não enfrentar subidas, hehe. Só após Marília apareceu um trecho de "serrinha" para me contrariar um pouco... desnível de quase 300 metros em cerca de 5 quilômetros.

Mentalmente eu tinha uma série de compromissos a realizar em Marília, pois não a visitava desde uma rápida passagem em 2010, depois de 24 anos de hiato. Infelizmente não consegui realizar quase nada. Com a "obrigação" de realizar no menor tempo a viagem, decidi que não passaria mais que 1 dia na cidade. 

Assim que entrei fui direto à sede do Marília Atlético Clube, MAC, ou Tigrão. Como torcedor do time, sempre em contado através do Facebook durante a campanha pelo acesso à série A1 neste ano, sentia-me no "direito" de procurar abrigo para pernoite em suas dependências. Cheguei no Abreuzão, fiz logo essa foto aí abaixo, no mesmo local que fiz uma quando passei em 2010...

Procurei pela diretoria, não encontrando nenhum representante naquela hora. Encaminharam-me à equipe de ciclismo da Prefeitura, que tem sua sede ali junto ao Estádio. Muito providencial. Conheci 3 atletas da equipe, entre eles o Eduardo, que me mostrou sua bike freeride, a qual eu não conhecia "de perto". Experimentei a mesma e a senti bem estranha, muito diferente da Áquila: dura, pesada. Eu imaginava que fosse bem leve. Ele me explicou que ela é muito resistente, devido à finalidade de saltos e mais saltos. Quem sabe se eu fosse uns 40 anos mais novo me aventuraria nesse estilo?...

Mais do que mostrar as dependências e bicicletas da equipe, eles contataram o Gastão, Secretário de Esportes da Prefeitura, que me ofereceu as dependências do Ginásio de Esportes para eu passar a noite. O que fiz no prédio da escola de tênis de mesa. Ainda vi parte de uma partida de vôlei entre as equipes de Marília e Echaporã. Ainda ali pela sede do MAC, fui à loja oficial do clube, onde fui presentado com um boné do time - estava fazendo muita falta, pois perdera o boné que trazia comigo. E na primeira parte da viagem, lá no Vale do Paraíba, havia perdido o boné do MAC anterior...







A equipe da Secretaria de Esportes, novos amigos

Tencionava procurar por um antigo amigo de infância, o João Carlos Fernandes, de quem tivera notícias lá em 2010, com sérios problemas de saúde, mas não encontrei ninguém conhecido próximo ao local onde morávamos. Aproveitei para visitar a Igreja Santo Antônio; morei em uma casa bem atrás dela. Uma historinha: nos fundos da igreja, naquela época, 1960 e alguma coisa, funcionava a Rádio Vera Cruz, conhecida como a Verinha. O rádio era o meio de comunicação mais difundido e apreciado naquele tempo, nada de TV, internet. E ali começou a despontar um locutor esportivo que se projetou nacionalmente: Osmar Santos, que teve a carreira interrompida tragicamente em um acidente de automóvel. 
Fui visitar o antigo Instituto de Educação Monsenhor Bicudo, hoje Escola Estadual. Infelizmete passei por lá em horário pleno de aula e não deu para uma visita mais completa. O vice-diretor que me atendeu, informou-me que perdi por 2 semanas (ô raiva!) as comemorações dos 50 anos do colégio. Uma pena mesmo.



Aqui funciona o posto do AcessaSP...
...onde surgiram 2 novos amigos, André e Pedro
Na saída da cidade, foto para pagar promessa a uma amiga de Formosa
Como a pressa é inimiga mesmo da perfeição, não me demorei na cidade e deixei de apreciar e reviver muita coisa. Mas o simples fato de passar pela cidade me fartou de saudosismo. Certamente voltarei a Marília mais vezes.

ECHAPORÃ
Visita rápida, um tanto frustrante.

Pretendia pernoitar na cidade, mas lá chegando fiquei sabendo que os 2 hotéis da cidade tinham fechado... Então fiz apenas o cumprimento do dever: visitei o posto do AcessaSP, onde conheci o Rick, muito boa-gente. Esqueci o meu boné do MAC e mais à frente ele me contata por email me informando e se prontificando a me enviar pelo correio, o que foi feito. Obrigado mais uma vez.


Bem, me preparei para pedalar até Assis, 30 km adiante, apesar do adiantado da hora, eram cerca de 16:30 h. Lá em Marília, em conversas havidas, me informaram que depois de Echaporã tinha um Posto de Combustíveis que oferecia quartos para pernoite. O mesmo me informaram na cidade, então decidi dormir lá mesmo. E como ficav a apenas 5 km da cidade, fui sem pressa. 

Cheguei ao Posto Pinheirão em torno de 17:30, já quase por escurecer. Mas aí, SURPRESA!!!! O hotel havia sido desativado há poucas semanas... felizmente tenho cara de honesto e graças a isso o proprietário permitiu que eu dormisse no escritório do posto, que funcionava 24 h. Apesar de não ter uma cama ou nada parecido, untei uns papelões por ali e dormi ali mesmo, lembrando do Noel Rosa: 

O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu
e também vão sumindo, as estrelas lá do céu
Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal...

O frio durante a madrugada foi considerável, em torno dos 13 graus. Mas o funcionário se lembrava de fechar a porta sempre que precisava realizar alguma operação no caixa e isso me deixou bem abrigado. Essas condições de pernoite me lembraram também da noite que dormi no ginásio da Academia Miquinhos, em São Manuel, quando o frio chegou a 6 graus... Incidentes de percurso, totalmente normal.


ASSIS
Cheguei bem cedo à cidade, ali por 9 horas. Como só tinha pedalado 30 km no dia, decidi seguir em frente pois a cidade, de maior porte, significava despesas maiores, o que sempre evito nessas viagens.

Pela avenida que entra na cidade fui chegar diretamente na Catedral. De São Francisco de Assis, muito bonita, a igreja. No pátio em frente, uma grande praça, juntavam-se dezenas de pessoas trocando figurinhas. Literalmente. O marketing dessa Copa está tão massivo que até isso eles ressuscitaram, a febre pelo álbum de figurinhas. Nas copas de 58 e 62 me lembro muito bem de meu pai colecionando seus álbuns. Depois disso me desinteressei e confesso que só vim notar essa atividade (troca de figurinhas em praça) neste ano, não sei se em outras copas foi assim, pois sou muito desligado de futebol, nem copa mundial me atrai.


Fiz um lanche reforçado ali por perto, centro comercial bem movimentado, com os estabelecimentos todos cheios, poucos lugares disponíveis na lanchonete que escolhi ao acaso...era sábado. E segui viagem. Só conheci a Estação Ferroviária porque ficava no caminho. Me agradou bastante o trânsito amigával ao ciclista: cruzei quase que toda a principal avenida e não me senti ameaçado em nenhum momento. Ponto para o povo de Assis.

Mas na saída, já no anel rodoviário (algo assim) me desanimei um pouco pela exposição perigosa: a estrada está em obras, sem acostamentos e o movimento de caminhões era grande. Só quando cheguei à Rodovia Raposo Tavares é que sosseguei.


Dali segui para

MARACAÍ
Uma agradável surpresa

Sinceramente nunca tinha ouvido falar nessa cidade. Minha experiência e conhecimento anterior do Estado de São Paulo não incluía o Oeste do estado. Até 1969, quando fui para Brasília, essa região era totalmente ignorada por mim. O que explica em parte essa minha viagem pelo estado, o resgate de minha juventude. Sei lá, deve ser...

Desde Assis a estrada é um tapete, incluindo o acostamento, fazendo me sentir um trem-bala. Rodagem tranquila, sem solavancos, desvios repentinos e... glória, sem aclives acentuados. Acho que só vi uma placa dessas, até o RodoMaster, no municípo de Regente Feijó, a próxima etapa.


Maracaí é uma cidade tranquila, até demais. Antes de entrar na cidade propriamente, a 2 km antes, fui parado por um cidadão que estava de moto. Ele me viu, retornou e veio falar comigo, matar a curiosidade. Era o Adilson, que tem uma oficina mecânica na cidade. Gente boa, cara simples, educado, gentil. Sensibilizou-me bastante sua atitude. Ficamos de nos ver na cidade, mas não houve oportunidade, infelizmente. Fica com Deus, Adilson.

Fiquei 2 dias na cidade, procurando descansar bastante, pois daí pra frente teria que pedalar mais de 60 km por dia, esforço um tanto demasiado para meus padrões. Na segunda saí cedinho rumo a Regente Feijó, cidade que na verdade não alcancei, pois desviei de rumo a poucos quilômetros antes, pegando a direção de Pirapozinho.
Igreja matriz em reformas


Hotel Real

A Raposo Tavares está em ritmo de obras, com diversos trechos interrompidos, o que me ajudava bastante, pois com uma pista interditada para os veículos, ficava aquela outra totalmente ao meu dispor, hehe... Pouco antes de chegar ao entroncamento Regente Feijó/Pirapozinho, parei para almoçar em um restaurante frequentado por muitos trabalhadores da empreiteira das obras, a OAS. Foi nesse lugar que conheci o jovem engenheiro Marcos Jr, morador em Presidente Prudente, que se prontificou a me dar apoio se eu necessitasse na volta, conforme eu havia lhe explicado sobre meus planos de passar pela cidade, para embarcar ali com destino a Brasília.



Nesse dia, 19 de maio, pernoitei no Posto RodoMaster, o Boing (sic) da Estrada, seu jargão. Tem como atração uma série de figuras de animais, personagens populares e folclóricos, além de cinema. Não consegui falar com o proprietário para saber o motivo daquele ambiente meio hollyoodiano, que encanta muita gente que passa por ali. Certamente é um grande chamariz para seu negócio, pois em toda a região, pelo que pude apurar, ele é conhecido.

Deixei o RodoMaster num frio gostoso de se pedalar...


ANHUMAS
seria o destino no dia anterior, mas ainda em Maracaí fiz contato com a prefeitura de lá e fiquei sabendo que não havia hotéis ou pousada na cidade. Assim apenas passei pela cidade, rapidamente, suficiente para fazer umas fotos e seguir caminho para Mirante do Paranapanema.


AcessaSP em Anhumas. O Luiz, monitor, não tinha chegado e eu segui viagem.


Passaria por Pirapozinho, mas não me animei a dormir na cidade por estar muito perto de Anhumas e também pelo fato de a estrada passar por fora da cidade. O que se revelou um erro logístico, deveria ter parado para almoçar e levar algum lanche, pois até Mirante não apareceu nenhum posto com restaurante, nem uma barraquinha de pastel e caldo de cana...

Informei-me na estrada com um carro que parou perto de mim e me disseram que havia um pesque-pague a poucos quilômetros adiante, onde serviam almoço e tinha toda estrutura para isso. Quando cheguei à entrada do local, uma decepção triste: uma placa informava que não atendiam às terças-feira. Ô dó... eu com fome, pouca água e a uns 40 km do destino. Olhei, assuntei, vi que não tinha cachorro, então me encorajei e adentrei o local, onde deveria ter alguém, pois uma moto com o motor quente estava no estacionamento.

Reabasteci-me de água de uma torneira providencial (depois fiquei tranquilo ao saber que era de poço artesiano). No que me preparava para dar meia-volta, aparece um senhor, o proprietário do local. Que me atendeu sem pestanejar. Só não tinha comida para servir nem salgados, mas tomei uma refrescante coca-cola (nessas horas, uma maravilha...) e adquiri 3 pacotes desses salgadinhos tipo baconzitos, além de cocadas. E muita água, pois certamente comer todos esses salgadinhos me provocaria uma sede terrível.


Voltei à estrada renovado, cheio de gás, sem contar o da coca, hehe... aqui a estrada ainda oferecia acostamento bom, o que me garantia boa velocidade, e isso anima qualquer cicloviajante, pergunte a um que você conheça...
Chegando em Pirapozinho

MIRANTE DO PARANAPANEMA
Surgiu numa curva da estrada, literalmente.

No acesso à cidade, bem na entrada, um cachorro chegou bem perto, ameaçador; o único que chegou a me assustar de verdade, em toda a viagem, nos 2.260 km rodados. Felizmente os gritos da dona foram eficientes e ele desistiu. Para quem não sabe, não são caminhões, acidentes, assaltos ou quedas sozinho que assustam o cicloviajante, mas justamente os cachorros. Pois em toda estrada tem sítios à beira e nos sítios tem cão de guarda. Geralmente bravos.



Em Mirante comecei a perceber que ali realmente começava o espírito do Pontal do Paranapanema, região famosa pelos conflitos de terra, onde se iniciou a reforma agrária pra valer, ainda nos anos 1980, segundo me informei pelo caminho. Quase não existe indústrias, apenas usinas de álcool. As pessoas trabalham no campo, em suas próprias terras hoje. E se orgulham disso, nota-se um brilho alegre nos olhos deles enquanto falam sobre os fatos e das atividades exercidas. Pude notar pela região, até Rosana, que os assentamentos são produtivos, as pessoas vivem e trabalham com gosto na terra. Fiquei positivamente impressionado com isso.


Bem no centro da cidade encontrei um hotel bem confortável, a preço acessível. Aqui na região é uma constante: hotéis simples, decentes e baratos.

Aqui passei no Acessa São Paulo, onde conheci a Alva, monitora local, mais um amigo para aumentar a conta. No frigir dos ovos, concluo que o AcessaSP funciona para mim como os faróis aos navegantes em épocas mais remotas: orientação e sinal de um porto seguro. Sim, porque na conversa com os monitores, sempre obtenho informações que dificilmente conseguiria com uma só pessoa, em uma cidade de desconhecidos.

Não sou de ferro. Aqui conheci o jovem Bruno, gente finíssima, filho do Bigode

Mangueirense? Fui tirar a dúvida com a moradora e sim, carioca e mangueirense...

Antes de chegar a Teodoro Sampaio passei por uma Usina de açúcar e álcool enorme, a Usina Conquista do Pontal, que me impressionou pelo tamanho gigantesco. Já passei por diversas outras nesta viagem, esta realmente foi a campeã.


Ainda tem mais, falta só o finalzinho...