segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

RODOVIA DOS TROPEIROS - 5 cidades semelhantes, com história idem - Atualizado

A Rodovia dos Tropeiros inicia-se na Dutra e segue por 110 km até Bananal, a cidade mais ao leste do Estado de São Paulo. Faz parte da Estrada Real, que no tempo do Império ligava Minas ao litoral (Paraty), para escoamento de riquezas (ouro) e que contribuiu para o povoamento dessa região.

Os séculos 18, 19 e primeiras décadas do século 20 foram a época de glória das 5 cidades. Primeiramente como via de ligação interior-litoral e após a abolição da escravatura, voltou-se a produção de café, que foi introduzido no Brasil primeiramente nessa região. Após a glória veio um período de esquecimento e decadência, retratado principalmente por Monteiro Lobato em seu livro Cidades Mortas.

No período do café surgiram muitas fazendas riquíssimas. Hoje, o turismo move essas cidades, sendo que um dos principais roteiros é justamente a visita a diversas dessas fazendas, conservadas até hoje.

O terreno acidentado, rios e cachoeiras e caminhos diversos em terra se mostrou também um excelente atrativo para os esportes em 2 rodas: torneios diversos de moto e mountain-bike encontram aí um terreno fértil (ops, trocadilho...) para a prática.

SILVEIRAS, a de número 31. A partir do momento que deixei a Rodovia Presidente Dutra e entrei na Tropeiros, o cenário muda completamente. Sai o vale, entram as montanhas. No início pensei que iria desanimar, mas o contrário se sucedeu: cada curva apresentava novas elevações e visual, numa sucessão de paisagens semelhantes, mas distintas entre si. Em comum, o horizonte com montanhas azuis e nuvens eternas (acredito) escondendo os cumes. Uma novidade incrível para mim. Viajar de bicicleta traz essa vantagem: você vê o cenário em câmera lenta, saboreando muito mais.
Aqui o artesanato é uma constante na região. Em madeira principalmente, com destaque para as araras, conhecidas nacionalmente. Quando eu vier por aqui de carro (promessa que me fiz), levarei muito souvenir...

Uma característica dessas 5 cidades que muito me agradou é a hospitalidade e mesmo carinho dos moradores com os visitantes. Sempre me senti bastante à vontade, confortável com todos, sem exceção, fosse cidadão comum ou autoridade municipal, a simplicidade se destaca por aqui.




Uma pessoa extremamente simpática e atenciosa é a Dona Joana (Joaninha), dona da pousada onde fiquei. Local simples, familiar e de bastante conforto, por um valor que nem dá pra acreditar. Na saída tive que trocar as sapatas do freio, pois já estava totalmente gasta, afinal descer serra é um exercício que desgasta demais. Inclusive minhas mãos...

Com AREIAS, conto 32 cidades.

Dentre as 5, acho que Areias foi a que mais me agradou. Silveiras foi impactante para mim, pois há muitos anos não viajo e desconhecia ou não mais me lembrava de cidades pequenas e históricas. Arrisco a dizer que se comparam a Pirenópolis, que não conheço. Já em Areias, senti mais forte esse clima de cidade bucólica e me soltei mais, entrando em comunhão com o espírito local. Muito agradável essa sensação.

Aqui a memória de Monteiro Lobato é bastante preservada, pois ele viveu aqui como Promotor Público. Areias, como todas as 5 cidades desse roteiro, tem grande parte do turismo voltada para as fazendas que foram gloriosas no passado, hoje abertas à visitação pública e hospedagem.
Betinho CR, do Acessa SP

Em SÃO JOSÉ DO BARREIRO não me detive por muito tempo, limitei-me a entrar na cidade, almoçar muito bem no restaurante Rancho, bem na praça principal, visitar o Acessa São Paulo, que, como me dissera o Betinho CR, era o posto mais fácil de se encontrar... certamente concordei com ele, veja pela foto:

Cleidy, do Acessa
Ana Célia e Rogério, gentes finas...
...e seguir viagem, rumo a ARAPEÍ.

Arapeí segue o mesmo padrão: cidade pequena, moradores simpáticos e receptivos. Só pernoitei por aqui. A pousada fora indicada pelo Antigão, um cicloturista como eu - inclusive na faixa etária -, que lá estivera no ano anterior. (veja o link para seu blog aí ao lado...)

Visitei a Prefeitura, em cujas dependências funciona o Acessa São Paulo, onde fiquei conhecendo essa figura impar que é a Bruna, monitora. Em cada posto do Acessa fui criando uma nova amizade, das quais já tenho bastante saudades. Certamente voltarei a visitar todas essas cidades e pessoas...
Arapeí bem ali: é alto, mas eu cheguei lá...



BANANAL me aguardava no ponto mais alto dessa estrada. Enfrentei umas subidas cabulosas, nas quais mais empurrei que pedalei a Áquila, hehe...

Fiquei 3 dias na cidade, conheci pessoas as mais diversas, tendo me surpreendido com uma cearense - Maria do Socorro, pra variar - que me fez duvidar de sua origem porque era mais alta do que eu... como gostam de dizer, eles os cearenses, em toda parte do mundo se acha um. Verdade.

Bananal tem influência bem marcada do Rio de Janeiro. Lá não se fala com o R fechado igual ao das demais regiões do interior de SP (ou de Goiás). A torcida no futebol é voltada para o campeonato carioca. Isso se justifica pela proximidade com o Estado do Rio; a cidade de Barra Mansa fica a 30 km dali, promovendo assim um forte intercâmbio comercial com o outro estado. Talvez por essa proximidade, achei a cidade mais movimentada que as 4 anteriores. Pode ser impressão errônea de minha parte.

Em todas as 5 cidades, assim como em toda a região de serra, a presença de carros 4x4 é uma constante. Só perdem em número para o... Fusca!

Finalizei essa rota sentindo uma alegria diferente. O visual de relevo bem acidentado, o desafio de pedalar montanha acima, mexeram bastante comigo. Quando cheguei a Ilha Comprida, com 1.007 km completados, considerei uma etapa vencida e uma grande conquista pessoal, que vinha de encontro às minhas pretensões de renovar minha vida. Mas esses 110 kms tiveram um sabor diferente, que veio se somar ao já conquistado, aumentando minha satisfação com essa viagem, e a certeza de que VALEU A PENA!



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

CACHOEIRA PAULISTA - 30

Cachoeira Paulista abriga uma importante comunidade espiritual católica, a Canção Nova. Estava muito curioso por conhecê-la e fui direto para lá. Inclusive filei a bóia (cheguei lá por volta das 13 h) no seu centro de apoio aos necessitados, a Casa do Bom Samaritano. Como choveu todo o tempo não me empenhei muito em conhecer em todos os detalhes, inclusive não esperei por uma possível entrevista na TV pois, provavelmente, só aconteceria no dia seguinte.






Aqui pernoitei. Hospedei-me bem próximo a entrada da Canção Nova, o que me permitiu voltar por lá algumas vezes. Não saí pela cidade tanto pela chuva ininterrupta, como pela topografia da cidade. A cidade apresenta bastante morros, o que não incentiva muito a um ciclista, somado ainda ao fato de a maioria das ruas ser de paralelepípedos, verdadeiro sabão. Cruzei a cidade pisando em ovos, cagando de medo de uma queda.

Aqui em Cachoeira termina a Estrada Velha, a que corre paralela a Dutra, me obrigando a pegar essa estrada nos próximos 6 km para me dirigir à Rodovia dos Tropeiros. Apesar de estar acostumado com grandes rodovias (Anhanguera, Washington Luís, Castelo Branco), tenho um pouco de medo da Dutra; em São Paulo sempre se refere a ela como perigosa, a mais perigosa. Não sei se tem fundamento, mas prefiro evitá-la.

LORENA - 29 cidades conhecidas

Lorena foi outra cidade em que não me demorei muito. Assim: como aqui no Vale do Paraíba tem muitas cidades muito próximas, coladas mesmo - 5, 10 km uma outra -, estou fazendo uma abordagem mais leve de cada uma, passando rapidamente e pouco me detendo. Influencia também essa mudança de postura o fato de eu agora estar bem condicionado fisicamente e pedalar 60-80 kms num dia não é mais o sacrifício do primeiro mês, quando meu limite ficava nos 40 km por dia. Evolução.
Aqui funciona o AcessaSP, mas o prédio estava em reforma e não funcionava.

A estrada que liga Lorena a Cachoeira Paulista conta com ciclovia. Uma tranquilidade.




Brevemente voltarei a Lorena e completarei informações. É outra cidade em que trens transitam em meio à cidade, com os mesmos problemas que citei, o que se revelará uma constante aqui no Vale.

GUARATINGUETÁ - Rota Franciscana Frei Galvão é a de número 28

Guará, como é conhecida por todos aqui no estado, é a terceira Guará em minha vida. Guará do DF, Guará entre Ituverava e Igarapava e agora esta. Ficou um certo tempo conhecida nacionalmente quando seu time de futebol disputou a Copa Brasil, acho que em 2009.

Guará é a cidade tronco da Rota Franciscana. Daqui saem diversas rotas oficiais que são cumpridas por turistas "normais" e por romeiros devotos de Frei Galvão, padre que virou santo pela Igreja Católica em 2007 e que viveu aqui. Cidade com muitas igrejas e com o seminário Frei Galvão, além de museu em sua memória. Confesso que era tudo desconhecido para mim, aprendi agora.

O ciclista se sentirá bem em Guaratinguetá, apesar de ter bastante sobe-desce, compensado pela atenção que os motoristas locais dispensam ao mesmo. Pedalei bastante pela cidade e em momento algum senti insegurança - nenhuma fina! Claro que sempre haverá uma exceção, um ou outro mais apressado e ignorante que destoará da maioria.

Aqui foi onde fiquei conhecendo a Rota Franciscana.
A Clarice, que me atendeu, é uma senhora Guia, conhece tudo da história da cidade.
Na Biblioteca Municipal funciona o Acessa SP, que sempre me tira do sufoco
quando tenho dificuldade para acessar a Internet

Como acontece na maioria das cidades paulistas, a antiga estação ferroviária é preservada e transformou-se em museu. No entanto, aqui no Vale, os trens cargueiros ainda circulam com frequência, na maioria levando grãos. Uma característica dessas novas ferrovias (novas?), infelizmente negativa, é a falta de segurança absurda que vejo nos trechos urbanos onde os trilhos passam, sem cancelas ou qualquer sistema de alerta em sua grande maioria, limitando-se a uma placa com o texto Pare, Olhe, Escute. Além da construção de residências bem nas margens da linha, um descaso das autoridades municiapais, responsáveis pela urbanização de suas cidades. Acaba em acidentes como aquele recente em São José do Rio Preto.

Em Guaratinguetá hospedei-me pela primeira vez em um Hostel, como se chama atualmente os Albergues da Juventude, oficialmente ou não. Aqui o Carlos é o responsável, figura incrível, dá conta de quase tudo sozinho e ainda nos informa com precisão onde tomar a melhor cerveja na cidade, hehe... Tanto na ida como na volta fiquei aqui. E parece que terei que voltar na próxima semana.

Intervalo de final de ano. E 10 cidades a mais na conta: 35 é Bananal

Confortavelmente hospedado na casa de meus amigos Túlio e Norma, em Taubaté, refiz minha meta para dar sequência ao projeto. Após ter chegado até Bananal, extremo leste do estado, que constava do plano original (lembrem-se, pretendia passar pelos 4 pontos extremos de SP, norte, sul, leste oeste), percebi que não será difícil cumprir esse plano.

Apesar de não ter passado por Populina (norte), considero satisfeita esta meta substituindo a mesma por Igarapava, de latitude pouco inferior, o que dá uma diferença de meros 13 km. Então ficarei pelo Vale do Paraíba até dia 20, quando irei para Brasília passar as comemorações natalinas em família e voltarei e irei com os amigos para o litoral (Ubatuba) passar o fim de ano acampado. Vida de rei, hehe... Enquanto isso vou conhecer mais umas 10 cidades pela região.

TAUBATÉ - Tanto tempo aqui e inexplorada

Por incrível que pareça quase não tenho foto de Taubaté. Quando retornar das 'férias' visitarei com calma Taubaté e Pindamonhangaba.