quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Passagem-relâmpago pela nº 4 - São Joaquim da Barra

Sim, passei como um meteoro pela cidade, guardada as proporções, claro. Os hotéis mais próximos estavam lotados, não tinha nem casinha de cachorro para me oferecerem. Segui em frente. Como era cedo, antes das 9 da manhã, segui direto para a Prefeitura local, assim registraria com fotos a minha passagem.

Mas, surpresa: só começa a atender às 12 h. Isso mesmo, de manhã não tem expediente. Imagino que na cidade tanto a população como os administradores dormem até tarde. Apesar de que as poucas empresas do comércio pelas ruas que passei já trabalhavam normalmente.

A cidade é cheia de sobe-desce, muitas ladeiras, por isso desisti de circular por lá e registrei apenas 1 foto, em frente à prefeitura:
Fica para uma próxima.

Guará é a de nº 3.

Como não poderia deixar de ser, tenho uma simpatia especial por Guará, pela homonímia com nosso Guará, aí do DF, onde vivi a maior parte de minha vida. Cá também o lobo Guará é o símbolo da cidade.
Registro na entrada da cidade.
Já de cara a cidade me dá uma agradável surpresa: tem ciclofaixa!!! Tudo bem, é só em uma rua, mas é a artéria principal,onde fica a maioria do comércio, e une os bairros ao centro, por isso de muita valia para os moradores.

Aqui em Guará me desfiz de um pouco de peso, enviando alguma coisa pelo correio, incluindo o tênis que trouxera, muito pesado. E comprei esse aqui, na loja Passarelle, atendido por uma garota (não soube seu nome...) muito esperta: perguntei se tinha um tênis assim-assado, de cor azul e ela veio direto com essa gracinha aqui:

Em Guará fiz contado com o Dié, que me passou contatos e indicou um restaurante na medida. Com sua ajuda fui (bem) recebido pelo Secretário de Esportes, o Flávio, no Ginásio de Esportes. Na verdade um complexo esportivo bem grande e bem cuidado. Quem dera todas as cidades do Brasil fosse assim, dá gosto de ver...

Andei pouco em Guará. Meio perdido, apesar da cidade ser pequena, demorei e me cansei muito para encontrar um hotel na minha medida. O sol aqui na região está de matar, na parte da tarde principalmente.

Matriz de S. Sebastião
Deixei Guará com a vontade de voltar logo - o que é impossível no persente contexto. 

Cidade nº 2 - Ituverava

Ituverava eu sempre confundo com Igarapava, nunca sei a ordem de qual vem primeiro, seja saindo ou entrando no estado... Esta foto foi feita quando saí da cidade, pois entrei à noite e peguei uma outra via de acesso...
 

A acolhida dos habitantes com quem tive contato foram dos melhores mesmo - exceto com relação ao hotel onde fiquei, que fique registrado essa má impressão que me causou. Caro e ruim, com uma atendente que parecia trazer o rei na barriga e me tratou com desdém, lembrando de imediato a música O Rei do Gado, de Tião Carreiro e Pardinho... pronto, falei!

No mais, tudo maravilha. Conheci por acaso o Maxwell Cove, ex-futebolista que mora na cidade. (Quer saber sobre ele? veja aqui: http://terceirotempo.bol.uol.com.br/quefimlevou/qfl/sobre/maxwell-3329.html.
Ele me foi de grande valia, pois me pos em contato com imprensa e prefeitura local (e outras cidades à frente), o que me abriu as portas para me integrar. Obrigado, Maxwell!


A turma do Mega Lanches me atendeu finamente. 
Matriz de N S do Carmo

Monumento por um artista local

Na praça 10 de março
Na praça 10 de março, considerada a mais bonita do Estado, segundo os moradores, existe uma homenagem a Gustavo Borges, o mega-campeão de natação. Também daqui de Ituverava, pelo menos 2 famosos conhecidos: Vitor Martins, parceiro nas músicas de Ivan Lins, e Marcelo Tas, aquele carequinha do CQC. Ah, sim, a praça é realmente muito bonita e bem cuidada.

O Secretário de Esportes me presenteia com camiseta da equipe oficial de ciclismo 
E vamos em frente...


Ainda Igarapava...

Estou em Orlândia, onde resolvi ficar mais de um dia a fim de atualizar o blog.

Voltando a falar sobre Igarapava. Segundo alguns moradores com quem dialoguei, a cidade é ótima para bike, pois você não precisa usar o pedal: você desce no embalo e sobe empurrando, pois é uma ladeira só. O que não deixa de ser verdade. Na hora de sair de lá, graças ao novo amigo Rinaldo, recebi uma carona que me deixou perto do topo, exatamente no Restaurante Fogão de Lenha, onde o Morais me ofereceu almoço 0800... Ele é o responsável pelo site TV Nossa Terra (tvnossaterra.net)
Olha o Morais
Mais algumas fotos dessa simpática cidade:
Matriz de Santa Rita

Interior da igreja

Grupo Escolar... saudades de Bauru, de minha infância
Dica aos pedarilhos: procurem o Hotel Silvio, na rua Dr. Gabriel Vilela. É do jeito que a gente gosta: barato, simples e você põe a bike no quarto.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Queridas(os), encolhi o mapa!!!!!

Na prática a teoria é outra, disse Joelmir Beting... e quem não ouviu isso, ao menos uma vez na vida?

Desde maio passado penso e planejo (mal) esta aventura. Arrogante e autosufiente como tenho sido, tracei a rota original sem pensar com precisão a respeito. Pegava o Google Maps, media distâncias, olhava pelo StreetView e achava uma maravilha. Li livros e blogs de ciclistas aventureiros (livro, do Thiago Fantinatti) e a sede de aventura foi aumentando a cada dia.

Só que tenho um defeito grande: sonho e fantasio muito, muito mesmo. E quando pus os pés no chão, digo, no pedal, hehe, vi que nada seria fácil como no 'filme' em que eu me via quase todas as noites. Por isso, e após uma conversa telefônica com minha cardiologista, decidi reduzir a praticamente a metade do percurso.

Sei que com isso estou decepcionando a torcida. Mas tenho 5 boas razões para essa atitude:

1. A idade e os fatores de risco da saúde: diabetes e revascularização. Nesses primeiros 4 dias na estrada tenho experimentado alterações constantes nos níveis de glicemia, principalmente hipoglicemia, o que se me torna muito perigoso se acontecer de estar em um local ermo, com poucos recursos de socorro rápido. E todos sabem que em São Paulo nem todas as estradas são do nível de Anhanguera, D. Pedro I, Carvalho Pinto, para citar somente algumas.

2. Estradas desconhecidas por mim. O lado Oeste do Estado desconheço totalmente. O novo percurso (veja o mapa), tenho visitado quase que anualmente (de carro), tendo já uma noção aproximada do que posso encontrar. E o GPS?, perguntarão alguns. Não tem rodas, uma maca em seu interior e outros tipos de socorro que encontro em estradas mais completas, digamos assim. Um exemplo prático e real: entre Igarapava e Ituverava, por erro logístico, fiquei sem água às 13 hs, sob sol de trinta e tantos graus. Foi só pedalar uns 200 metros, parar num telefone SOS e, 5 minutos depois tinha um carro de apoio da Vianorte com água até para eu tomar um banho, se quisesse. Foi só água, podia ser um socorro médico mais sério, um desfibrilador...

3. Não tenho o direito de impor sofrimento desnecesário a quem quer que seja. Especialmente esposa, filhos e irmãos, os mais próximos, por sangue, claro. Sei que todos estão diariamente com o coração na mão, ávidos por informações que assegurem meu bem estar. Em Guará, conversando com um habitante local, ele usou esta expressão quando lhe informei que pretendia viajar de 6 a 8 meses, talvez 1 ano: "Nossa, tua mulher e teus filhos vão envelhecer 50 anos nesse tempo!" Ponto para o bom senso (que eu não tenho muito).

4. Meu objetivo nessa viagem é RENOVAÇÃO INTERIOR. E para que isso aconteça, muita coisa exteriormente obrigatoriamente vai mudar. Exemplo banal: Em Guará, trôpego de fome, fui almoçar um PF muito bom... quem me conhece sabe que nunca, mas nunca mesmo comi abóbora, tinha aversão total. Pois bem, o prato constava de arroz, feijão, um suculento bife e abóbora. Regateei? Claro que não. E ainda achei gostoso!!!

5. Não vim bater recordes nem me suicidar. Recordes, só em videogame, nos bons tempos. E se quisesse me matar, faria isso em Formosa mesmo, ao menos morreria descansado.

Vejam aqui o novo mapa:

Clique para ampliar

Saí de Igarapava, irei para o litoral, que irei percorrer todo, voltando pelo Vale do Paraíba, subindo para Franca e chegando novamente a Igarapava. Dali seguirei num ritmo mais rápido, sem entrar em todas as cidades, até Dourado, centro geográfico de SP. Essa alteração teve uma baixa que me incomoda bastante, no momento em que redijo esse post: a cidade de Ipuã, que já se preparava para minha passagem por lá, graças ao trabalho do Theo Dias, do Portal Ipuã, que preparou uma ótima matéria a meu respeito. Agradeço de coração partido ao Theo... Nos veremos na volta, Ipuã!

Amanhã voltarei a atualizar.

PS. Antes que me esqueça, quero agradecer explicitamente à Compuway, empresa de informática e escola, aqui de Orlândia, que me cedeu um de seus terminais em sala de aula.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Igarapava, a nº 1...

Cheguei em Igarapava, a cidade número 1 do meu roteiro, onde cheguei ontem.

Conheço 'de placa na estrada' há muitos anos, mas não havia entrado aqui antes. Foi uma grata surpresa: acolhedora, gente muito receptiva, me senti em casa. Apesar de uma surpresa nem tão agradável: a cidade é acidentada demais. Para se chegar ao centro, tem que se descer uma ladeira de mais de quilômetro... a preocupação fica pra hora de voltar, quando a descida se torna subida, hehe...

É disso que estou falando.
Em compensação, foram dois dias muito agradáveis, que espero se repitam pelas outras cidades pela jornada. Fui muito bem recebido pelo Prefeito Carlão, pessoa simpática e agradável ao extremo.


Com a assessoria de Rosalina - Secretária de Turismo da Prefeitura, pude fazer essa atualização sem nenhuma dificuldade. Estou postando da Casa da Cultura local. Na foto abaixo, Rinaldo, Rosalina, eu e Carlinhos, que me apoiaram grandemente. Até a volta!

Voltarei com outras informações breve. Obrigado pela visita.

sábado, 7 de setembro de 2013

Dia de independência

Escolhi esta data para início da viagem por mera coincidência. No entanto, não deixa de representar meu grito de independência.

Nos últimos 20 anos minha vida parou. Mais acentuadamente desde 2001, ano em que os mais terríveis acontecimentos me marcaram, incluindo um infarto que quase me levou e uma descrença total com a vida, com Deus e ausência de amor-próprio. Nesses 13 anos praticamente fiquei limitado a me embriagar e maldizer a vida. Costumava dizer, até recentemente, que, com relação à vida, estava cumprindo tabela, nada mais havia ou podia fazer para mudar.

A partir de janeiro de 2012 decidi-me por me recuperar, voltar a viver plenamente. Consegui muito, mas muito ainda me falta. Este projeto em que me atirei tem tudo a ver: passar a depender exclusivamente de mim, de minhas atitudes e ações. Auxiliado pela fé em Deus, que redescobri e assumi.

Acredito estar fazendo a coisa certa. Ao final da jornada saberei, sendo que no decorrer dela alguns milagres ocorrerão, eu sei. Compartilharei com vocês que me acompanham. Às 22 h embarcarei rumo a Uberaba, onde chegarei por volta das 6 da manhã do domingo e passarei a dar as primeiras das zilhões de outras pedaladas que me levarão para a redescoberta da vida.

"Não tenho caminho novo, novo é o jeito de caminhar", já disse Thiago de Mello, em meu socorro. Pois que esse novo jeito seja aquele que tenho buscado nas fantasias. Agora tornadas realidade. Que Deus não me falte. Que meus filhos, esposa, irmãos fiquem em sossego e compreendam que preciso partir. Para poder voltar a ser feliz, como eles tanto desejam me ver.

(Uma explicação necessária)

Mandei imprimir um cartão (de visitas) para me divulgar por onde passar. Este aqui:

Muita gente não compreende porque essa foto de um... astronauta, vá lá. Teve gente que me perguntou, seriamente, se eu ia saltar de para-quedas, acredite se quiser.

Essa frase é de Marguerite Yourcenar, escritora belga, em seu livro Memórias de Adriano. O astronauta é Felix Baumgartner, um austríaco, amante de velocidade, que realizou o salto livre de uma altitude de 39.000 metros, marcando um recorde que dificilmente será alcançado. Para mim, frase e feito casam-se perfeitamente, um traduz o outro. Assim aconteceu comigo.